A pior forma de enfrentar uma dificuldade é deixar-se abater. Tristeza é normal, é (res)sentimento, é importante por causar reflexões. Mas um discurso derrotista apenas atrapalha. Denota medo. Reflita sobre fraquezas. São facilmente identificáveis. Olhe dentro de você. Sempre, em absolutamente todos os casos, existe uma lição, um aprendizado. Seja otimista, procure pontos positivos que te mostrarão o caminho a seguir. Olhe ao redor, observe o quê conspira em seu favor e, principalmente, dê valor.
O velho verso é perfeito: levante a poeira e dê a volta por cima. A vida é um jogo, vence quem possui mais força de vontade, raça, gana de viver. Vence quem se convence da perseverança.
Let's Rock! >>> Joy Division - Autosuggestion
Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Filosofia de Botequim (parte 1): das dificuldades.
Postado por Marcelo Urânia às 00:30 1 comentários
Categorias: vida
Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
Eu, jogador de futebol (parte 1)
Do pré-mirim do Akió Satoru às portas do juniores do Atlético-PR
Tudo começou no gramado da Chácara Sossego, em Urânia, como sparring para os chutes do meu pai. Adorava voar pra bola entre as traves improvisadas no poste e na árvore. Em pouco tempo, dotado de tamanho incomum para a pouca idade e de boa elasticidade, era o guarda-metas do time pré-mirim de futebol de salão da Escola Estadual de Primeiro e Segundo Grau Profº Akió Satoru. O treinador era o Professor Florisvaldo e eu disputava posição com o Paulinho, irmão do Gim. Disputamos o campeonato em Jales, meus primeiros jogos oficiais e não me lembro de maiores detalhes.
Desgostoso com a possibilidade do filho levar boladas em regiões delicadas, meu pai determinou que meu futuro não fosse embaixo da baliza. No ano seguinte, 1994, então na 6º série, fui buscar um lugar entre os jogadores de linha. Comecei como ala-esquerda, mesmo destro, pois a concorrência era menor e eu tinha certa facilidade com o pé-esquerdo. Disputava posição com Fernando Totti, porquê o Cirim não tinha mais idade para o pré-mirim (ou pq ele jogava na frente, não lembro...). Eu era mais novo e reserva, jogava pouco. O time pré-mirim desse ano, senão me falha a memória, era Rogério (goleiro), Lelo (fixo), Ricardo (direita), Totti (esquerda) e Bala (pivô).
Quase todo nosso time também disputou o campeonato mirim no segundo semestre. Com o Bala preferindo jogar de ala-direita, colocando o Ricardo no banco, já que o Gim era o titular absoluto na frente. O Rogério também ficou no banco, o titular no gol era o Viludo, eu acho. O Totti revesava com o Cirim no lado esquerdo. Nessa equipe mirim, eu era uma espécie de terceiro reserva na direita ou na frente, um dos mais novos do elenco (boa desculpa!). Chegamos entre os quatro melhores times da região.
No ano seguinte, na 7º série, a imensa maioria jogava no mirim. Do time titular do ano anterior, ainda tinham idade para o pré-mirim, o goleiro Rogério, o fixo Lelo e o agora ala-direito Bala, abrindo vaga para um centro-avante alto, de pernas finas e passadas largas: eu! Talvez tenha sido o melhor momento da minha carreira no futebol. Nessa época, sabe Deus por qual motivo, a escola trouxe um professor da cidade de Jales, Profº Márcio, para o lugar do Profº Florisvaldo. Até hoje não entendi, visto que o Profº Florisvaldo sempre foi um treinador/professor respeitado.
O regulamento daquele ano previa uma fase de classificação entre as escolas do município de Urânia, para depois jogarmos em Jales. Jogamos então contra a EPG José Teixeira do Amaral e contra a escola da COHAB (ou contra a escola de Santa Salete - distrito de Urânia na época - não me lembro). Só sei que estufei as redes de cada escola em 3 oportunidades. Lembro de levar um xingão da torcida adversária e ficar com medo. Lembro daquele uniforme azul, do número nove nas costas e das duas partidas na quadra do Colégio Comercial. Ganhamos os dois jogos e nos classificamos para a segunda fase. Artilheiro com 6 gols. Felizaço. Porém, o improvável aconteceu e um dos nossos jogadores - o Andrey - estava com idade acima do permitido para a categoria. Fomos desclassificados e não disputamos o campeonato em Jales. Uma pena, com certeza seríamos campeões.
(Em pé, da esquerda pra direira: Prof Márcio, Rogério, Andrey, Totti, Paulingo, eu, Lelo e um guri que não lembro o nome. Agachados: Luis Coelho, Matheus, Lê Poneis, Bala e os outros três que tb esqueci.)Nas férias escolares da 7º série, montamos um campeonato no Clube dos Cem. Acho que uns seis ou sete times, alguns de Jales. Fizemos reuniões para definirmos regulamento, comprarmos troféus, medalhas e sortear os times. Os jogos eram aos sábados pela manhã. Lembro que fizemos boa campanha, chegando às semi-finais. Eu jogava no gol e grudei com fita o número 1 nas costas de uma camisa de manga longa do meu pai. O único companheiro de time que eu lembro era o Cirim, porque no apito final do jogo que fomos desclassificados, ele chutou a bola contra o troféu, que ficava exposto na lateral da quadra. Por muito pouco não acertou a bagaça e acabou com a festa. haha
No segundo semestre de 1995, no futsal da escola, Viludo e Gim não tinham mais idade para o mirim. O Profº Florisvaldo havia reassumido como treinador. O time titular era Rogério, Lelo, Ricardo, Cirim (Totti) e Bala. Eu jogava bastante, de centro-avante ou ala-direito. Outro reserva que sempre entrava era o Paulinho, irmão do Gim, que também havia desistido da carreira de goleiro. Não havia muita diferença em relação ao time pré-mirim, era um período de renovação, mas conseguimos ficar entre os quatro/cinco melhores de novo.
Um dos episódios mais tensos da minha infância esportiva aconteceu nesse campeonato, quando os jogadores da escola Elza Pirro Viana, um dos grandes rivais à época, apedrejaram nosso ônibus. Lembro perfeitamente que coloquei a camiseta esticada sobre a cabeça, em forma de cabana, enquanto ficava agaixado entre os bancos e via os vidros caírem. Quase mijei de medo, até porque estávamos em frente ao ginásio do Paraíso, um bairro meio barra-pesada de Jales. Mas ninguém se feriu, foi apenas um cagaço mais forte.
Em 1996, na oitava série, eu era o único da turma que ainda tinha idade para o pré-mirim. Era o zagueiro/fixo/líbero e capitão. Não lembro quem fazia parte do time, talvez os mais novos dos times anteriores, mas realmente não me lembro. Fizemos uma campanha decente, mas sem grande destaque. Talvez tenhamos ficado entre os oito melhores times da competição.
Neste ano, sabe Deus como, rolou um interclasse no Akió Satoru. Eu estava na 8º B, e o resto do time da escola dividido entre a 8º A e 8º C. Lembro apenas que eu era o camisa 10 do time e que sofri uma falta dura de algum adversário. Quase chorei. Lembro de pessoas em volta olhando assustadas e eu ali, caído e segurando o choro.
No final do primeiro semestre da 8º série, meu pai enfim permitiu que eu jogasse no time de futebol de campo de Urânia, o glorioso Clube Atlético Uraniense, conhecido - e temido - na região como CAU. Tenho até hoje a chuteira Umbro que eu comprei na época. Total classics. Como eu nunca tive um fôlego privilegiado e ostentava a braçadeira de capitão jogando como zagueiro no time pré-mirim de futsal da escola, ingressei nos gramados como zagueiro-central.
Sob comando do técnico Motor, no primeiro jogo eu fui reserva e entrei no segundo tempo - para não sair mais. Dos jogadores titulares, lembro do goleiro Eli, do Diego 'Jason' (centroavante) e do Marinho (jogava de segundo volante). Em nove ou dez partidas que fizemos durante o ano, fui o titular do lado direito da zaga, foram bons jogos durante o ano, todos amistosos. E apenas uma falha. Grotesca, por sinal. Num escanteio, a bola veio pelo alto e eu, ao invés de usar meu quase 1,85m da época pra cabecear a bola pra longe da área, fiquei com medo de afundar a cabeça no pescoço. Então apenas dei o corpo para atrapalhar o atacante, bem mais baixo. Ele se esquivou e conseguiu cabecear, fazendo o gol da vitória. Terrível, eu sei, mas minha cabeça ainda está aqui.
No futsal mirim da escola, já no segundo semestre de 1996, o time pro campeonato era Rogério, Lelo, Bala, Totti e Paulinho. Eu acho. Não me lembro bem, talvez por ter sido reserva numa época que, se eu continuasse desenvolvendo meu futebol, deveria ser o titular. Enfim, coisas do mundo da bola e eu não me lembro mais dos detalhes. Na verdade eu era (sou?) ruinzão mesmo, mas enfim. Fizemos outra boa campanha, sempre fazíamos boas campanhas. Os rivais de sempre eram as escolas Elza Pirro, o Euphly Jalles e o Dom Artur, todos de Jales. Acredito que nesses três anos de futebol mirim/pré-mirim, essas três escolas ganharam cada uma um título e nós sempre ficamos no quase. Uma pena.
Num próximo texto, as aventuras futebolísticas no colegial, quando estudei em Jales. E na sequência, a faculdade e o tempo de Atlético-PR.
Let's Rock! >>> Chico Buarque - O Futebol
Sábado, 20 de Junho de 2009
Marcelo Urânia no treino do Palmeiras
Eu, na capa da página do Palmeiras no GloboEsporte.com, prestigiando o treino em Curitiba. \o/
Let's Rock! >>> Silvio Caldas - Palmeiras, Palestra!
Postado por Marcelo Urânia às 09:27 1 comentários
Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
Wilco em Urânia
Dia desses sonhei que o Wilco faria um show em Urânia. E o Jeff Tweedy, na tarde antes do show, palestrava no colégio Akió Satoru quando o microfone pifou e ele teve de descer do palco para ser ouvido. Porém, o John Stirrat estava tagarelando mais pro fundo do pátio, perto da cantina, comigo e uns amigos (Bala, Lelo, Marcião, Nels Cline, Glenn Kotche, Pat Sansone e Mikael Jorgensen). E ninguém conseguia ouvir o líder da banda.
Estávamos rindo pois o show do Wilco era único no Brasil e abarrotaria a 'rede hoteleira' de Urânia. Rede que apenas inexiste. Aí o Jeff ficou puto e ameaçou dar um Jay Bennett no John Stirrat (piada adaptada mode on). Então saímos do colégio pro Jeff continuar a palestra e fomos beber no Bar do Zé Orati.
O sonho acabou aí, nada mais me lembro.
Let's Rock! >>> Wilco - One Wing
Segunda-feira, 25 de Maio de 2009
R.I.P., Jay Bennett.
Na noite de sábado para domingo morreu em Chicago o multi-instrumentista Jay Bennett, membro do Wilco entre 1994 e 2001. Morreu de causa ainda não determinada, "em seu sono", aos 45 anos.
No Wilco, Bennett entrou durante a tour de "A.M" (1994) e formou uma prolífica parceria com Jeff Tweedy, contribuindo diretamente nas gravações de "Being There" (1996), "Mermaid Avenue" (1998), "Summerteeth" (1999), "Mermaid Avenue Vol. II" (2000) e, principalmente, "Yankee Hotel Foxtrot" (2002).
Jay Bennett entrou em conflito com Jeff Tweedy - ambos conhecidos pelo perfeccionismo - durante as gravações de "Yankee Hotel Foxtrot" e deixou o Wilco antes da finalização do álbum. Bennett filtrava as maluquices de Tweedy e as deixava mais, ãin, melodiosas. Esse processo esgotou o relacionamento da dupla.
As diferenças artísticas de Bennett e Tweedy são flagradas no documentário de Sam Jones, "I Am Trying to Break Your Heart: A Film About Wilco" e rendem problemas até hoje. No começo do mês, Bennett apresentou uma queixa contra Tweedy reinvindicando os royalties de seu papel no filme.
Depois que deixou o Wilco, Jay Bennett gravou cinco discos solos. O último, Whatever Happened I Apologize, saiu em 2008 e está disponível para download gratuito no site rockproper.com
Rest In Peace, Jay Walter Bennett.
Let's Rock! >>> Jay Bennett - Talk and Talk and Talk
Postado por Marcelo Urânia às 10:05 1 comentários
Categorias: música
Quinta-feira, 7 de Maio de 2009
1001 Singles: "Weird Fishes/Arpeggi", Radiohead.
É a faixa quatro do álbum In Rainbows, o sétimo na carreira da banda inglesa Radiohead, lançado em 2007 e famoso por revolucionar o modus operandi da indústria fonográfica ao ser vendido pelo preço que o cliente/fã desejasse pagar.
"Weird Fishes/Arpeggi” é o ponto mais alto num disco sem músicas fracas. A canção é dividida, como sugere o título. No início, a guitarra cresce uniformemente, acompanhada pela bateria levemente repetitiva, em arpejo (técnica derivada das harpas), numa barulheira que, de tão harmônica, torna-se minimalista e... oceânica. A voz flutuante, difusa e absurdamente lírica de Thom Yorke somada ao backing aflito de Ed O'Brien rematam o quê parecia completo. Perto dos quatro minutos, há uma mudança no andamento, praticamente trazendo os tormentos para as caixas de som, num tom fantasmagórico, um tanto aquático, que combina ainda mais com o vocal doentil e a letra romântica e delirante.
Ouça outras canções classudas em In Rainbows: "House Of Cards", "Jigsaw Falling Into Place", "Reckoner".
Postado por Marcelo Urânia às 00:24 3 comentários
Categorias: 1001 Singles, música
Terça-feira, 5 de Maio de 2009
Top 10 do rock curitibano
O Túlio, palmeirense radicado em Buenos Aires, perguntou para 25 entendidos quais eram as melhores músicas do rock curitibano dos anos 2000, juntou tudo e montou um Top 10 de canções curitibanas.
Na minha lista seguiram “Burocracia Romântica”, Terminal Guadalupe; “Dizem”, OAEOZ; “Polaca Azeda”, Charme Chulo; “Sal de Fruta”, Poléxia; e “Nunca Mais”, Relespública, mas o resultado final (com os 25 votos computados) você lê aqui.
Let's Rock! >>> Íris - Cachorro Magro
Postado por Marcelo Urânia às 10:28 2 comentários
Segunda-feira, 4 de Maio de 2009
Oasis em Curitiba.
Ontem começou o rebuliço em torno dos shows no Brasil da turnê do mais recente álbum da banda inglesa Oasis, “Dig Out Your Soul”, com a publicação de algumas entrevistas com os irmãos Noel e Liam Gallagher.
O jornalista (e piloto do Go Kart) Cristiano Castilho conversou com Noel para a Gazeta do Povo. O compositor dos maiores sucessos do Oasis fala sobre o álbum-solo, futebol e maturidade. Leia aqui.
O jornalista (e dançarino de dança do ventre) Zeca Camargo conversou com Noel e Liam para o Fantástico. Os irmãos brigões de Manchester falam do amor ao rock e do avanço da idade no vídeo abaixo.
Serviço: Oasis em Curitiba!
10 de maio, às 19h30, no Expotrade Center Pinhais.
R$ 160 (Pista comum) e R$ 400 (Pista VIP).
Estudantes, idosos e doadores de sangue pagam meia-entrada.
Postado por Marcelo Urânia às 02:12 0 comentários
Sexta-feira, 1 de Maio de 2009
Senna, 15 anos.
Singela homenagem deste amante da velocidade: o vídeo da famosa primeira volta em Donington Park, em 1993.
Chovia muito. Ayrton Senna largou em quarto, atrás de Prost, Hill e Schumacher. Na largada, caiu pra quinto. E ultrapassou todos para assumir a liderança ainda na primeira volta. Absolutamente fantástico e inspirador.
Saudade sempre.
Let's Rock! >>> Goldfrapp - Caravan Girl
Postado por Marcelo Urânia às 15:27 0 comentários
Categorias: corridas
Quinta-feira, 30 de Abril de 2009
Obrigado, Cleiton Xavier.
Petardo. Foguete. Tirambaço.
Dois segundos.
Berro trashmetal.
Euforia. Êxtase.
AVANTI PALESTRA!
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Terça-feira, 28 de Abril de 2009
Sigam-me os bons!
Não dá pra escrever tanto. Não tenho tempo, mesmo. Correria insana e, quando tenho tempo livre, ocupo-me em sociabilidades. Tento não ser tão nerd a ponto de ficar em casa ouvindo todas as músicas que quero ouvir, vendo todos os filmes/seriados que quero ver, jogando todos os jogos que quero jogar ou... escrevendo sobre tudo isso.
Não dá, então eu twitto.
Let's Rock! >>> Goldfrapp - Happiness
Postado por Marcelo Urânia às 12:53 0 comentários
Segunda-feira, 13 de Abril de 2009
Meu Diário de Rorschach.
Meu Diário de Rorschach: 12 de Abril de 2009.
22h23. Dois meses de cultivo. Hora de aparar a barba. Preciso de uma sacola plástica. Dejetos capilares na pia entupirão a merda do encanamento. Não quero problemas. Barbeador Phillips e Gillette Senso Excel Azul. Azul. Onipresença do Dr. Manhattan, filho da puta imberbe.
23h38. Chegou a parte chata. Raspar a barba abaixo do queixo sem machucar o pescoço. É nessa parte que uso o creme de barbear. [‘Say It Aint So’, quase não a reconheci.] Não agüento mais. Laka me aguarda, o sono também, ladrões também. Não acerto os pêlos na sacola. Raiva. Muito pêlo. Raiva.
Postado por Marcelo Urânia às 00:12 4 comentários
Quinta-feira, 9 de Abril de 2009
Um final de tarde com Vovó Edwiges.
- Querido, precisamos ir ao supermercado.
- Só terminar essa partida de futebol e a gente vai.
Três partidas no FIFA 2004 depois...
- Vó, bóra pro Wal-Mart? A senhora pode pegar um comprovante de residência pra eu fazer cadastro numa locadora?
- Já pego e a gente vai.
Vrummm. Vrummmm. (barulho do carro da Tia Marli)
Na locadora de vídeos.
- Nossa, querido, tem filme da Audrey Hepburn!
- Essa locadora é foda. Tem até Trainspotting em DVD!
- Tem o quê?
- Um filme, Vó. Um filme.
- Nossa, Gregory Peck! Será que tem A Ponte de Waterloo? Eu amo de paixão esse filme...
- Deve ter, Vó. Deve ter.
- Ah, deixa eu procurar os filmes do Bruce Willis. Como ele é lindo...
Silêncio diante dos filmes. Vovó aprecia o Bruce Willis.
E de repente:
- Querido, o quê tem naquela salinha fechada.
- Peitos, bundas, pintos e chochotas. Escancarados.
- Meniiiiino, não fala besteira!
Eu só sorrio.
- Marcelo, vamos levar esse aqui? É com o Bruce Willis.
- É só pegar.
- Ai, ele é tão lindo. Só me casaria de novo se fosse com ele... (suspiro)
Um senhor ao lado lança um olhar de rabo de olho, analisa minha vó e olha pra mim. Eu de olho nele, com cara de bravo. Ele retorna a atenção à prateleira.
- Já escolheu, Vó? Vamos nessa.
Três filmes. O Último Beijo, Virgens Suicidas e A História de Nós Dois (o tal filme com o Bruce Willis).
Alguns minutos depois, na rua.
- Marcelo, porquê você está entrando no Wal-Mart?
- Ué, a senhora não queria ir ao mercado?
- Ah, é. Tinha esquecido.
No supermercado.
- Marcelo, qual desses amaciantes você gosta mais?
Silêncio. E ela continua a olhar os preços.
Minutos depois:
- Querido, qual carne você gosta mais?
- Carne de mulher perfumada, Vó.
- Meniiiino, não fala besteira.
Vários minutos depois:
- Marcelo, você prefere coxão mole ou...
- Vó, a carne que a senhora decidir primeiro é a que eu mais gosto. - interrompo, já impaciente.
Muito tempo depois, Vovó está diante das frutas.
- Querido, você prefere maça ou...
- Vó, eu prefiro sair daqui. - respondo debruçado no carrinho do mercado.
- Então tá, já tô terminando.
Uma hora e meia após entrarmos no supermercado, entrego o cartão do estacionamento.
Em casa, colocando as sacolas sobre a mesa, Vovó solta a pérola:
- Ai meu Deus!
- O que foi, Vó? - digo preocupado.
- Esqueci do leite!
Deixo as últimas sacolas e em direção ao quarto, respondo:
- Amanhã.
(texto originalmente publicado no Estranho Caminho 1.0, em setembro de 2005).
Quarta-feira, 1 de Abril de 2009
A Segunda Academia e o Palmeiras 2009
O mau futebol apresentado pelo Palmeiras nas últimas partidas me fizeram procurar um modo de melhorar a equipe. Afinal, a partida decisiva pela Libertadores, contra o Sport, é na próxima semana. Então busquei referências de grandes times, de formações famosas por alinhar o esquema de jogo às características do elenco. Quando penso em um grande time, sempre lembro das variáveis do 3-4-3 do Felipão na Copa de 2002, mas, dessa vez, fiquei boquiaberto com a possibilidade de implantar o saudoso 4-2-4 do Palmeiras da década de 70 no elenco atual.
A eterna Segunda Academia, formada por Oswaldo Brandão, pra quem não se lembra, foi bi-campeão brasileira - um dos títulos de forma invicta -, e encantou o Brasil por defender muito bem e atacar com velocidade. A formação base, presente na lembrança de todo palestrino, era: Leão; Eurico, Luís Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Edu (Fedato), Leivinha, César e Nei.
Guardadas as devidas proporções de qualidade e honra das lendas palestrinas em comparação com os jogadores atuais, vejo possibilidade do Luxemburgo orquestrar um esquema parecido - até pq Oswaldo Brandão foi taxado de retranqueiro à época, por manter a linha de quatro jogadores na defesa, e o Palmeiras precisa, definitivamente, de uma defesa bem postada.
Luxemburgo, por sua vez, resolveria o problema com uma zaga formada por Wendell, Edmilson, Danilo e Armero. Importante salientar que Pablo Armero teria a marcação como maior responsabilidade, justamente por esse motivo prefiro o Wendell ao Sandro Silva ou Capixaba. Edmílson seria Luis Pereira, com suas saídas esporádicas ao ataque.
No meio-campo, Pierre seria Dudu, o marcador implacável. Cleiton Xavier deveria ser Ademir da Guia. Sempre acho ridículo tentar comparar alguém ao Divino, mas Cleiton Xavier é quem mais se assemelha, no atual elenco, ao maior jogador da história do Palmeiras.
Minha única dúvida está em quem seria Leivinha, que voltava para marcar com a mesma maestria e velocidade que atacava. Com essas características, temos Diego Souza, mas poderia ser Willians caso o Diego se negue à marcar. Em Leivinha creio que estava o segredo do Palmeiras de Oswaldo Brandão. O temido 4-2-4 se fazia de 4-3-3 ao menor aceno do treinador. Para dar certo, depende muito do Diego Souza lembrar que ganhou destaque no começo da carreira por ser um volante habilidoso. Nas pontas, Edu seria Willians (ou Diego Souza), Nei seria Lenny e, no centro do ataque, César Maluco, claro, seria K9.
Taí o meu Palmeiras 2009 ideal, o time que pode destruir o Sport, em Recife e em São Paulo: Marcos; Wendell, Edmílson, Danilo e Armero; Pierre e Cleiton Xavier; Diego Souza, Willians, Lenny e K9.
Imagino a comoção que o Luxa causaria ao afirmar que essa formação segue o exemplo da Segunda Academia. Imagino a motivação que levaria ao time, à torcida e até à imprensa. Porém... será que o Luxemburgo convence o Armero que marcar é mais importante que atacar? Luxa seria capaz de mudar o posicionamento do Diego Souza?
Infelizmente, não creio...
Let's Rock! >>> Tom Waits - Green Grass
Postado por Marcelo Urânia às 13:26 2 comentários
Terça-feira, 24 de Março de 2009
Chácara do Jockey, São Paulo, Brazil.
A verdade é que o show do Radiohead foi PHODA demais. Depois de quinze anos, sete álbuns e milhares de boatos, a expectativa era altíssima. E foi atendida. Muito bem. E acredito piamente que daqui dez anos, os 30 mil que formaram aquele mar de gente vão se transformar em 200 mil, tamanho número de pessoas que vão jurar ter estado lá.
E um paradoxo gostoso era todo mundo se perguntar o porquê de tanta espera por um show do Radiohead no Brasil e, após a apresentação, constatar que melhor momento não poderia haver. Thom, John, Colin, Ed e Phil formam uma banda no ápice de sua maturidade, dominando seus instrumentos sem virtuosismo, fazendo reverência à própria história sem saudosismo caricato e executando as músicas com a energia exata. E não tô exagerando.
A exuberância do palco resplandecia nos olhos arregalados da platéia. E a complexidade dos tubos luminosos suspensos pelo teto - num lance meio estalactite - e a edição ao vivo dos telões com closes de câmeras fixas em cada integrante, fez o palco mais bonito que eu já vi na vida. Total sinergia entre som, luz e vídeo. E não tô exagerando, contemplação absurda.
Em Paranoid Android, uma catarse. Urros incontroláveis ao final da música fizeram com que Thom Yorke retomasse os acordes e a acompanhasse o público. Em outros momentos do show, Thom canta e as 30 mil pessoas ficam absolutamente quietas, numa introspecção de assustar. Vou repetir: TRINTA MIL roqueiros fantasticamente em silêncio. Vi dois ou três marmanjos chorando quietos, sem viadagem, emoção sincera e espontânea. E não tô exagerando, transe coletivo total.
All I Need, Karma Police, Climbing Up The Walls. Weird Fishes/Arpeggi, Jigsaw Falling Into Place, Idioteque e Optimistic. Paranooooooid Android. Fake Plastic Trees, quase chorei. Lucky e Everything In Its Right Place. Em Creep, fique rouco e quase chorei de novo.
Apenas alguns exemplos do setlist com 26 canções, executadas em quase 2h30min de show. Ainda assim, senti falta de No Surprises, Just e High & Dry, confesso - só pra não ficar sem reclamar. Mas, tudo bem, tô feliz. A viagem longa e cansativa, os terríveis problemas da organização... tudo recompensado por um puta show. HIS-TÓ-RI-CO, véio!
Thom, Johnny, Ed, Colin e Phil... Obrigado, Radiohead!
(Updeite-se: já tá rolando um "DVD" do show do Radiohead em SP. Só baixar o torrent aqui.)
Let's Rock! >>> Radiohead - Weird Fishes/Arpeggi
Postado por Marcelo Urânia às 15:53 4 comentários

