domingo, 27 de maio de 2012

London, day 1: “all the umbrellas in London couldn't stop this rain”


Acordei atrasadaço e com a cabeça pesada depois de tomar todas aos pés da Catedral de Colônia em meu último dia na Alemanha. Corri pro aeroporto de Dusseldorf com medo de perder o avião. Cheguei em Londres depois de um vôo conturbado, sinais de uma ressaca de razoável intensidade que perdurou nas primeiras horas em território inglês. Aportei no aeroporto de Gatwich, 50km ao sul de Londres, perto das 10h. Uma fila gigante na imigração, onde fui questionado ferozmente por quase 10 minutos e temi pelo pior, mas consegui passar. Então era preciso pegar um trem para Victoria Station, já no centro de Londres e nas proximidades do Palácio de Buckingham. Peguei minhas malas e me perdi um pouco até encontrar onde comprava o ticket do Gatwich Express. O trajeto é num trem meio high-tech demais e demora uns 20 minutos numa paisagem que varia entre campos encharcados e casinhas Wallace & Gromit. Chegando em Londres tive a impressão de rapidamente ver o Big Ben, mas não posso afirmar com certeza. Desci do trem e fiinalmente me dei conta de onde o filho do Nino e da Márcia estava: caralho, cheguei em Londres! Dois mil anos de civilização nessa porra! London! Lon-don, cêis tão ligado?!?

Victoria Station
Fiquei uns bons dez minutos olhando pra todos os lados da Victoria Station. Comprei e carreguei um Oyster Card (cartão pro transporte público), comprei um sim card da Vodafone (internet pro meu google maps!), tomei uma Fanta (bem menos laranja que a brasileira) e comi um McDonalds qualquer. E só então decidi sair pra enfrentar a cidade e tentar encontrar o ponto de ônibus que me levaria pra próximo do hostel. Que cidade linda, meuzamigo. Impressionante. Na porta da Victoria Station já vi o teatro do Billy Elliot (foto aqui) hahaha. E obviamente demorei pra encontrar o ponto de embarque olhando tudo e todos, mas o busão de dois andares estava me esperando. Entrei e subi pra primeira poltrona do segundo andar, pra ver Londres de camarote.

All Souls Church
Meus mapas estavam certos e quando o ônibus C2 passou pelo monumento All Souls Church eu sabia que estava chegando no hostel. Então o busão saiu da Portland St e desci no ponto seguinte para ir ao YHA London Central. Aqui cabe uma nota: Obrigado, Bala! A dica do meu grane amigo foi realmente sensacional. O hostel é barato, seguro, extremamente amigável e super bem localizado (perto dos pontos turísticos e dos botecos!). Fica a dica pra quem pretende viajar gastando pouco. Continuando, rasguei meu inglês na recepção até descobrir que a moça era uruguaia e falava português. Daê eu tava em casa. Fiz umas piadas e fui pro quarto deixar as malas e tomar banho. Nesse ponto, meu cronograma já estava mais ou menos três horas atrasado. Uma beleza. Pra ajudar, demorei pra entender como esquentava a água do chuveiro. Bom, de banho tomado, era hora de explorar a cidade.

Turista? Sim ou com certeza?
Vazei em direção à Piccadily Circus, Trafalgar Square e à National Gallery. Aluguei uma bike pública por 1 libra e desci a Portland St no meio dos carros naquele trânsito invertido. E os motoristas respeitam os ciclistas! Cabe dizer que os ciclistas – pasmem – respeitam as leis de trânsito! Passei pelo All Souls Church e a avenida se transformou em Regent St (mapas certos, uhu!). Antes de chegar na Trafalgar Square, começou a garoar e coloquei a bicicleta na estação perto da Piccadilly Circus praa comprar uma capa e chuva e então dei os primeiros passos realmente turísticos. Com a chuva, o vento e o frio aumentaram bastante. E eu com ressaca ainda. Comprei uma capa de chuva ri-dí-cu-la e as pessoas ficavam rindo desse turistão que vos fala. Descobri que estava na direção errada após caminhar três quarteirões e a garoa, pra ajudar, virou chuva forte. Aí, na mais pura sorte, encontrei o Café Brazil. Comprei uma Guaraná Antarctica, recarreguei as energias, a chuva parou e perguntei pra que lado era a porra da Trafalgar Square.

No caminho entrei na National Portrait Gallery achando que era a National Gallery. Perdi uns 20 minutos. Saí de lá meio puto e finalmente achei a bendita Trafalgar Square. Véi, que bonito. Tirei um bilhão de fotos. Na ponta da praça, de frente pro monumento ao Almirante Nelson com a National Gallery de fundo, viro pra esquerda e vejo um portal fudidaço, lindo pra caraleo, chamado Admiralty Arch que, reparando bem, era o início do The Mall, e lá no fundo dava pra ver o Palácio de Buckingham. Que cidade linda! As pessoas ali pareciam não ter noção do privilégio de viver diante de tanta história. Virando mais um pouco pra esquerda, de costas pra Trafalgar Square, pra completar a embasbaquez, lá estava ele, impetuoso, o Big Ben! Sério, muito, muito legal. Pensei em entrar na National Gallery mas queria o audioguide em português pra entender melhor as obras, e naquela quinta-feira não estava disponível por algum motivo que não dei conta de entender hahaha então deixei pra ver noutro dia.


O Big Ben à esquerda, o Admiralty Arch e a Trafalgar Square com a National Gallery ao fundo.
Já estava ficando tarde, meu cronograma do primeiro dia já estava totalmente impossível de cumprir e não sabia o quê fazer. Aí resolvi atravessar o Admiralty Arch pra ver qualé. Fiquei com preguiça de caminhar até o Palácio de Buckingham (na verdade foi a força da ressaca e a vontade de ver logo o Big Ben) e virei à esquerda pra ver onde é realizada a Horse Guards Parade – a troca da guarda da rainha (não vi a troca, só vi onde é haha). Desci ladeando o belíssimo St James Park e cheguei perto de uns esquilos hahah até finalmente dar de cara com o Big Ben e todo o Palácio de Westminster. Tirei um quadrilhão de fotos imaginando a exploração praquilo ser construído hehe. Algumas partes da rua defronte ao Parlamento estavam fechadas e fui perguntar pro guarda o porquê. E a rainha - aquela da música do Sex Pistols! - tinha estado lá há poucas horas!!! Porra, nem pra véia me avisar. Então andei na frente de todo o palácio. Arquitetura absurda. E depois fui ver de perto a Abadia de Westminster - que fica do outro lado da rua -, onde casaram-se Willian e Kate e, mais legal ainda, onde estão enterrados Willian Shakespeare, Issac Newton e Charles Darwin (uia!). Cheguei lá bem no horário de saída da Evensong, uma missa com o coral da igreja. Estiquei o pescoço e consegui ver um pouco da parte de dentro. E eis que, de repente, 18h - o Big Ben badalou pra eu escutar. De arrepiar. Muita coisa passou pela minha cabeça. Um momento tão simples e com vários significados.

Westminster Abbey

Já estava na hora de começar o caminho de volta pro hotel e o frio apertava ainda mais. Caminhei às margens do Tâmisa um pouquinho, vi a London Eye e peregrinei em direção à Oxford Street, a rua das compras. Me perdi bonito enquanto olhava pros prédios, pras pessoas, pros Porsches, pra tudo. Meu chip da Vodafone e o Google Maps me ajudaram demais. Consegui achar a Oxford St e entrei numas duzentas lojas. Fui de uma ponta à outra. Olhei discos, calçados, roupas e comprei umas bugigangas. Já perto das 20h, num frio de rachar, depois de tomar chuva, vento, com os pés destruídos após quilômetros andando de allstarzinho, avistei uma Pizza Hut. Era no subsolo, bizarro. Desci uns quatro lances de escada até o restaurante. Grande e lotadaço. Comi descalço com um pé massageando o outro. Hahaha. Peguei um busão e voltei pro hotel afim de um banho. A night em Camden Town me aguardava.

No hostel perguntei sobre uma balada róque em Candem Town que o Jonas tinha me indicado. Uma festa estranha com gente esquisita no Proud Camden. Tomei um banho e coloquei o celular pra carregar enquanto descansava os pés. Conversei um pouco com o brasileiro (!) e dois senhores ingleses que estavam no mesmo quarto. E o cansaço bateu forte, o sono veio violento e não tive forças pra cair na náite. Uma lástima, praticamente um crime. Realmente não dava. Pelo menos eu estaria descansado pro segundo dia.

Olha o Big Ben escondido atrás da árvore.
 Let's Rock! >>> Sex Pistols - Never Mind The Bollocks (o álbum inteiro)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ressurreição


É bem provável que tenha sido influência do feriado de Páscoa somada à insônia do final de domingo assistindo Alcatraz (seriado sobre os presos da famosa prisão que reaparecem em 2012), mas eu estava dormindo num apartamento gigante que não tinha porta entre a escadaria do prédio e os cômodos, então eu ouvia barulhos das pessoas descendo e subindo as escadas e tinha dificuldade pra dormir. 

Já bem no meio da noite quando finalmente consegui pegar no sono, ouço barulho de máquina de escrever e acordo um tanto amedrontado. Ainda com os olhos fechados, tento descobrir de onde vem o barulho. Era da sala e a Juju foi verificar o quê era. Ela voltou pro quarto como se atendesse ao pedido de alguém. Achei estranho, mas ela deitou tranquila e voltou a dormir. Em seguida, ouvi outro barulho na sala, mas não vinha da máquina de escrever. Levantei pra checar. Cheguei na sala e meu pai estava deitado no sofá com a mão direita sobre a testa, na  posição clássica pra ‘assistir’ Globo Esporte e acordar no final do Jornal Hoje.

Incrédulo, pasmo, emocionado, trêmulo e entusiasmado, perguntei “o quê é isso?!”, “como você está aqui?!”. E meu pai não sabia responder e apenas nos abraçávamos e chorávamos, com força e saudade. Repeti as perguntas, perguntei se aquilo estava realmente acontecendo, “mas vc ñ tinha morrido?!”, “nesse meio tempo você estava lá meio que dormindo?!” e meu pai, também sem entender bulhufas do quê estava acontecendo ou como tinha chegado ali, mantinha-se deitado no sofá, limpando os olhos como se acabasse de acordar.

“Espera que vou avisar a Juju e chamar a mamãe e o Michel”. Entrei no quarto dizendo pra Juju ficar susse que não era ladrão, era meu pai. Ela respondeu ok sem abrir os olhos, totalmente sonolenta, e virou pro outro lado da cama.

Cheguei no quarto da mamãe e do Michel, mas não consegui acordar o Michel que dormia feito pedra. Acordei minha mãe e a levei pra sala, tentando acalmá-la no meio do caminho, dizendo pra ela não se assustar, que estava tudo bem, que era tudo de verdade. Quando ela viu o quê estava acontecendo, olhou pra mim assustadíssima, correu em direção ao meu pai e ajoelhou-se perto do sofá com o braço na barriga do meu pai e, tentando encontrar alguma pista que deflagrasse uma pegadinha, revirou uns papéis ao alcance das mãos como se houvesse a inscrição “isto não é real” em algum lugar. Não achou nada e, meio estabanada, olhou pro meu pai e disse “marido, você tá aqui de verdade?!” e começou a chorar copiosamente dizendo que tinha gasto pouco telefone nesse tempo todo.

Aí escutei um barulho no banheiro. Fui ver o quê era e o Michel - com fisionomia de 10 anos de idade - tinha caído de sono enquanto estava sentado no vaso sanitário. Ajudei-o levantar, lavar as mãos e fomos pra sala. Os quatro ali sem entender nada, absolutamente nada, naquela felicidade imensurável, rindo da situação e perguntando-se “como assim?!”.

De repente, eu me mexi na cama acho que meio forte demais e acordei do melhor sonho em anos. Dei um sorriso, lamentei profundamente não ficar naquele estado de sono pelo menos mais um pouquinho e corri aqui pra sala pra escrever antes de esquecer os detalhes.

De vez em quando eu sonho com meu pai, de vez em quando eu choro dirigindo, de vez em quando eu rezo, mas hoje foi especial.

pra completar, o céu agora de manhã.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Cicinho x Arthur depende de Juninho

A briga na lateral-direita do Palmeiras não é tão simples quanto parece. O antes titular absoluto Cicinho está perdendo espaço para o recém-contratado Arthur. Porém, se Cicinho não perdeu rendimento e Arthur não é o novo Djalma Santos, então porquê Felipão trocou o lateral-ddireito?

Arthur x Cicinho ou Cicinho x Juninho?

Na verdade, Cicinho perdeu espaço com a ascensão do surpreendente lateral-esquerdo Juninho.

Entenda: Ano passado, tínhamos um lateral-esquerdo cone (G Silva, Gerley ou Rivaldo), então a única opção, na hora do ataque, era segurar o lateral esquerdo como terceiro zagueiro e liberar o Luan como ala avançado. Assim, Cicinho tinha liberdade para ser ala avançado na direita pois o zagueiro central cobria sua posição (Daniel Alves no Barcelona é exemplo, Piquet faz a cobertura).

Hoje, com a chegada do Juninho, está invertido.

João Vitor ou Patrik (no futuro talvez Wesley), são as opções para o papel de Luan pela direita e Juninho ganha liberdade na esquerda, com Arthur ficando como terceiro zagueiro (Cicinho não tem essa vocação). Dá pra ver o desenho do esquema clicando aqui. O quê torna compreensível, portanto, Felipão usar muito o Rivaldo na lateral-esquerda, ano passado.

E, como conclusão, a briga do Cicinho não é diretamente com Arthur; ele precisa mostrar-se mais efetivo que Juninho. E também precisa torcer pro Luan voltar bem e colocar minhoca na cabeça do mestre Luiz Felipe Scolari.

Enfim, gosto de tática. E é bom entender que não é simplesmente trocar o jogador e que, hoje, temos muitas opções.

E vivas ao Felipão!

Let's Rock! >>> FIFA 12 Soundtrack

quinta-feira, 1 de março de 2012

Woody Allen da família

Eu já a comparei com Harvey Pekar e a acompanhei numa aventura ao entardecer, mas agora percebi também que Vovó Edwiges é uma espécie de Woody Allen. Vovó está para as maleficências mundanas tal qual Woody para os relacionamentos. Há uma porção de pérolas tão grandes que, não adianta anotar ou memorizar, sempre terei a impressão que esqueci a melhor parte.

vovó woody

Let's Rock! >>> The Hollies - Peculiar Situation

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Naquela mesa...

De autoria do compositor e jornalista Sérgio Bittencourt (1941-1979), "Naquela Mesa" é uma homenagem ao pai dele, o músico e compositor Jacob do Bandolim (1918-1969).

"Naquela Mesa" entrou para o rol de músicas que não consigo ouvir.

Abaixo, acompanhe a magnífica versão do pernambucano Otto para a letra de Sérgio Bittencourt:




Naquela mesa ele sentava sempre / E me dizia sempre o que é viver melhor / Naquela mesa ele contava histórias / Que hoje na memória eu guardo e sei de cor / Naquela mesa ele juntava gente / E contava contente o que fez de manhã / E nos seus olhos era tanto brilho / Que mais que seu filho / Eu fiquei seu fã / Eu não sabia que doía tanto / Uma mesa num canto, uma casa e um jardim / Se eu soubesse o quanto dói a vida / Essa dor tão doída, não doía assim / Agora resta uma mesa na sala / E hoje ninguém mais fala do seu bandolim / Naquela mesa ta faltando ele / E a saudade dele ta doendo em mim / Naquela mesa ta faltando ele / E a saudade dele ta doendo em mim

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Fé na saudade

Desde os tempos que a Vovó Melcina frequentava a Igreja Batista ali ao lado do Colégio Comercial de Urânia, eu desdenho as religiões e zombo igrejas. A partir desse início de adolescência, zoei o Vaticano e as orações em voz alta, dei risada de qualquer culto em torno de qualquer divindade, não entendi a conversão do Cat Stevens e ridicularizei até a fase gospel do Bob Dylan. Enfim, sempre tirei sarro e cansei de dizer que "a religião é o abrigo dos fracos" - tendo a condescendência de meu pai, inclusive.

Porém, hoje, após a vida me envelhecer trocentos anos nesses seis meses, confesso que preciso da fé. Careço acreditar que meu pai está em um bom lugar, aguardando-nos. Não sei onde, como, quando, porquê. Apenas tomei por verdade e, agora, acredito devotamente em algo que comumente é chamado "paraíso".

Uma crença, uma filosofia que, de certa maneira, é muito próxima ao quê desprezei por anos. E se isso faz de mim um fraco, como eu afirmava, então, paciência. Pois, se existe um lado bom no falecimento do meu querido Ninão é justamente admitir/aprender que, mesmo odiando as igrejas (manipuladores e etc), há de se respeitar o motivo das pessoas - e o meu é a saudade.

Há seis meses, em 15 de agosto, meu último dia com meu pai em vida.

"I go where true love goes"


And if a storm should come and if you face a wave, (E se uma tempestade vir e se você encarar uma onda)
That may be the chance for you to be safe (Essa pode ser a sua chance de estar seguro)
And if you make it through the trouble and the pain, (E se você passar pelo problema e pela dor)
That may be the time for you to know his name (Essa pode ser a hora para você saber o nome dele)
(...) The moment you fell inside my dreams (No momento que você entrou nos meus sonhos)
I realized all I had not seen, (Eu percebi tudo que eu não tinha visto)
(...) The moment you said "I will" (No momento em que você disse "eu irei")
I knew that this love was real, (Eu soube que esse amor era real)
And that my faith was seen - oh (E que minha fé foi vista)
(...) The moment I looked into your eyes (No momento em que eu olhei dentro dos seus olhos)
I knew that they told no lies, (Eu soube que eles não diziam mentiras)
There would be no good byes - Ah (Não haveria despedidas)
'cause Heaven must've programmed you (Porque o Céu deve ter te programado)
I go where True Love goes! (Eu vou onde o verdadeiro amor vai)
Let's Rock! >>> Los Hermanos - O Pouco Que Sobrou
"A vida vai seguir / Ninguém vai reparar / Aqui neste lugar / Eu acho que acabou / Mas vou cantar / Pra não cair / Fingindo ser alguém / Que vive assim de bem"

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Impressiona

Impressionante como na hora de ir embora do trabalho penso em ligar pra casa em Urânia, antes do milisegundo que me traz à realidade. Absolutamente impressionante a nitidez ao lembrar das tardes tomando cerveja nas cadeiras da varanda "onde corre um vento gostoso". Impressionante como meu jeito de olhar no retrovisor interno do carro ou segurar o volante são idênticos aos do meu pai. Impressionante como minto pra mim mesmo que estou sendo forte e às vezes até acredito. Impressionante a vontade de voltar no tempo. Impressionante como penso muito, muitíssimo mais na minha família.

Impressionante como me aproximo do meu pai.

Hoje, 5 meses.
Let's Rock! >>> Cat Stevens - Father and Son
"(...) All the times that I've cried / Keeping all the things I knew inside / And it's hard, but it's harder / To ignore it (...)"

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Ano Novo

Primeiro natal sem meu pai. Primeiro reveillon sem meu Pai. O costume nessas datas era chorarmos abraçados. Primeiro aniversário sem meu pai. O costume era, no mínimo, chorar ao telefone. No natal, chorei quieto na cama. No reveillon, chorei de soluçar, mas não chorei no aniversário, fiquei no quase. Talvez pq todo mundo ficava me olhando pra ver se eu estava triste - tenho mania de transparecer força, apesar de às vezes fraquejar (como nesse texto).

E impressionante como ainda parece mentira, brincadeira de mau gosto, um pesadelo forte demais.

Happy new year pra você também.

Let's Rock! >>> Pearl Jam - Release
"(...) Oh, dear dad can you see me now? / I am myself like you somehow (...)"

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Urânia Waltz

Como fizemos durante grande parte da minha adolescência, acabou a novela e zapeamos os canais a procura de um filme pra ver antes de dormir. Nada na Sky, a alternativa foi "Inverno da Alma", no pendrive. Então play. Logo nas cenas iniciais, o refrão de "Missouri Waltz", na voz de Mariseth Disco. Meu pai soltou um "nossa, olha que bonito". E voltamos pro começo do filme algumas vezes pra ouvir os versos em inglês e reparar num discreto zunido de grilos ao fundo, quase um barulho de mato, acompanhando a voz da cantora no lugar dos instrumentos, casando perfeitamente com a imagem rural que aparecia na tela, numa amostra do potencial lírico do cinema. E, diante da realidade que nos encontrávamos, a cena tornou-se ainda mais forte, mais lírica, mais emotiva. E os dois marmanjos, negando o medo da doença e a comoção do momento, apenas contemplaram o som em silêncio.

No meu entendimento, o momento transcende a relação pai e filho e pode ser encarado, também, como uma ode à música e às tradições caipiras.

E na minha mania de colocar a cabeça no travesseiro e pensar na vida, vejo as três grandes paixões do meu pai num momento tão delicado e perturbador: a família, a música e a roça.

E meu mundo desaba. Que saudade, Deus. Hoje, quatro meses.

O Cristo em Urânia, por Marcos Pick.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Fotos

No meu mundo as pessoas deveriam morrer de idade. Ficou muito velho, enfraquecido demais, cansado de tudo, com os abraços de netos e bisnetos, vida completa, com a sabedoria transmitida aos mais novos na totalidade... aí tudo bem, dá pra conceber, aceitar, ficaria bom pra todo mundo.

E eu vejo umas fotos e ainda não acredito. Eu tento, mas não consigo. E o estômago embrulha, a visão turva, o coração acelera, o corpo treme e o mundo desaba.


Let's Rock! >>> Bob Dylan - Blowin' In The Wind
"(...) and how many times must a man look up before he can see the sky? (...)"

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Um mês, Deus.

Um mês.

De resignação, de descrença, de saudade, de uma dor que entorpece. Sem meu ídolo, sem meu espelho, sem meu confidente e conselheiro, sem meu amigo, sem meu pai, sem meu verdadeiro Deus. Um mês de choro contido (às vezes nem tão contido assim), de uma maldita ardência no peito. Um mês de fuga - sem perceber - do silêncio, das reflexões, da realidade e, mesmo assim, em absolutamente todos os dias, de hora em hora, algo remete ao meu pai. Uma frase, um trejeito, uma situação. Impressionante. E a dor lateja, arqueja.

Envelhecer é foda. A gente enfrenta umas provações tão fortes que - nesses dias de infortúnio - até o Deus do mundo eu difamei. E continuo difamando, entre orações, num paradoxo que só o amor permite. Até porquê, dizem, esse Deus perdoa. E até porquê, agora, eu tenho um Deus particular, um Deus verdadeiro que de tudo fez por mim e por minha família. Tenho provas que esse Deus existe, tenho até fotos.

Sou o quê sou por minha família, por esse Deus.


Let's Rock! >>> OAEOZ - Às Vezes Céu/Ausência/Dias Tortos

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Autopsicografia

Minha cabeça está em ebulição. Penso em homenagens, busco momentos, conselhos, conversas, risadas. Choro sozinho, sorrio sozinho. A verdade é que nesses dias, disparado os mais intensos da minha vida, meu pai está nos meus pensamentos em absolutamente todos os instantes. E eu tenho uma vontade absurda de escrever. De pensar em meu pai e apenas nele, sem perder a concentração por um instante. Tentar encontrar as melhores palavras pra entender bem o quê está aqui dentro. Quem escreve há tantos anos deve entender a necessidade de digitar o raciocínio e aprofundar-se na introspecção a ponto de esquecer do mundo por minutos, às vezes por horas, e concentrar-se num silêncio - ora na lembrança, ora no devaneio - capaz de trazer meu pai aqui pra perto. "Prá aliviar minha alma que chora / Só tenho agora minha inspiração". E o quê eu mais quero é sentir meu pai por perto.

Só não escrevo tudo que passa na minha cabeça porquê, primeiro, óbvio, não há léxico no mundo pra traduzir a mente humana e, segundo, porquê meu pai queria apenas silêncio e discrição. E respeitarei isso eternamente.

"Com a saudade no ponto mais alto (...) Refugiei minha grande saudade / Na simplicidade de uma lembrança / Voei nas asas da imaginação / Fui ver meu sertão quando eu era criança. / Os tempos risonhos dos meus lindos sonhos / Cheio de esperança. (...) Daquele tempo feliz que passou / Saudade ficou no meu coração / Prá aliviar minha alma que chora / Só tenho agora minha inspiração / Esta nostalgia dentro da poesia."

(trecho da música "Nostalgia", autoria de José Ferreira de Urânia)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Top 7 grandes duplas da Copa América 2011

Não lembro da última vez que a Copa América atraiu tantos craques. E, para comemorar, nada melhor que lembrar do Top 7 na Copa do Mundo da África e elencar as sete melhores duplas da Copa América.

1. Messi (Barcelona-ESP) e Carlos Tevez (Manchester City), Argentina: Messi é o melhor do mundo disparado. Artilheiro rápido e habilidoso, conduz a bola próxima do pé e é um voraz finalizador. É incrível como se completa ao Tevez, avante forte, bruto, trombador, raçudo. E também habilidoso, rápido e finalizador. O cisne branco e o cisne negro no mesmo time. Ponto fraco da equipe: há tempos os bons valores não conseguem formar uma boa equipe.

2. Neymar (Santos-BRA) e Paulo Henrique Ganso (Santos-BRA), Brasil: A dupla ignorada por Dunga na Copa 2010 por ser jovem demais, hoje é a mais pura realidade. Feras destrutivas, jogadores completos, inspiram confiança nos brasileiros pelos arremates precisos, pelos dribles desconcertantes e, principalmente, pela personalidade. Um mais incisivo e outro mais organizador. Ponto fraco da equipe: às vezes o time se perde na soberba.

3. Luís Suarez (Liverpool-ING) e Edinson Cavani (Napoli-ITA), Uruguai: A grande Copa do Mundo de Suarez rendeu-lhe a camisa 7 do Liverpool. E a vice-artilharia de Cavani no italiano pelo Napoli o faz cortejado por todos os grandes europeus. Finalizadores sem tanta habilidade, mas com um faro de gol absurdo, muita raça e carisma. Mortais dentro da área. Ponto fraco da equipe: Após a Copa do Mundo, Forlán nunca mais jogou bem.

4. Alexis Sanchez (Udinese-ITA) e Jorge Valdivia (Palmeiras-BRA), Chile: El Mago está livre das contusões que o atrapalham pós-Copa do Mundo e pronto para destrinchar habilidade, ousadia e visão de jogo. Basta ter condição física para o chute no vácuo alegrar o amante do futebol. Já Sanchez foi peça fundamental na super arrancada da Udinese no italiano e, se o Barcelona não quer Neymar, é porque já comprou Sanchez. Ponto fraco da equipe: a zaga só tem brucutu.

5. Lucas Barrios (Borussia Dortmund-ALE) e Roque Santa Cruz (Blackburn-ING), Paraguai: Atacante argentino naturalizado paraguaio às véspera da Copa 2010, Lucas Barrios é a referência ao lado do experiente Roque Santa Cruz. Apesar do ótimo nome e início meteórico, Roque Santa Cruz não consegue emplacar jogar bem na seleção e ainda vive de lampejos. Ponto fraco da equipe: Gamarra aposentou.

6. Falcão Garcia (Porto-POR) e Pablo Armero (Udinese-ITA), Colômbia: Centroavante alto, forte e goleador, Falcão Garcia é cobiçado por grandes clubes europeus após a temporada brilhante em Portugal. Pablo Armero, contestado no Palmeiras, é grande arma ofensiva da Udinese na Itália. Ponto fraco da equipe: quando formam bons times, sobra firula e falta futebol.

7. Antonio Valencia (Manchester United-ING) e Felipe Caicedo (Levante-ESP), Equador: Vale citar a emergente equipe equatoriana e Antonio Valencia, titularíssimo na ponta direita do Manchester United, substituindo apenas Cristiano Ronaldo. Já Felipe Caicedo, grande revelação contratada por milhões pelo Manchester City, hoje tenta se estabilizar no futebol europeu no espanhol Levante. Ponto fraco da equipe: o resto do time quase engana, mas é fraco.

Let's Rock! >>> Caetano Veloso - Soy Loco Por Ti, América

domingo, 12 de junho de 2011

Heaven must've programmed you

Oi, Mesquita Imam Ali Ibn Abi Talib. Tô de olho em você.

Ao dar à Mesquita de Curitiba o nome de “Imam Ali ibn Abi Tálib”, a comunidade muçulmana da cidade quis homenagear uma das mais importantes personalidades da história islâmica. O Imam (Guia Espiritual) Ali ibn (filho de) Abi Tálib era primo e genro do Profeta Muhammad (Maomé).

Tirei as infos daqui, mas tô nem aí pra religião, o quê importa de verdade são as palavras do mestre Yusuf Islam (antigo Cat Stevens): "The moment you walked inside my door, I knew that I need not look no more (...) The moment you fell inside my dreamsI realized all, I had not seen (...) The moment you said "I will", I knew that this love was real (...) Heaven must've programmed you."

Let's Rock! >>> Yusuf Islam - Heaven (Where true love goes)